10 de jan. de 2010

Já dizia o velho da Praia - PoeT_,+Ed

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- Um dia eu caminhava de uma extremidade a outra, molhando os pés na água. Um senhor lá longe vinha na direção oposta... Eu sentia o sol escaldantes, o vento fresco cortando minha pele... E quando menos eu me dei conta ele estava mais e mais perto, parecia uma miragem constante batendo palma, parava um instante, esfregava e assoprava as mãos e continuava... Quando passei ao seu lado, ele repetia algo sem sentido, sem racionalidade: “O amor é outro nível... O amor é outro nível... O amor é outro nível... O amor é outro nível”.
- Há noite ao deitar na varanda, observando as estrelas as lembranças vinha há tona, compondo poesias no celular, quando uma luzinha fugitiva vinda da fresta da telha adentra meu globo ocular e o pensamento de que o sol move seu grande olho quente e os dias, a lua move seu grande olho frio e as noites - mais essa coisa de nunca se olham nos olhos me espantou... Percebe então que o meu bom gosto pela timidez me levaria a ser um velho andarilho, batendo palmas pausadamente na beira da praia, porque embora pense um pouco e me emocione muito, sinto e gosto das coisas com o estomago. Essa é uma contradição necessária, deve-se aos medrosos pensadores por demais - aventuras, invadir lugares inusitados.

- Eu não entendo o porque mais a minha timidez, esses olhos negros que se escondem atrás do vidro quadradinho, enquanto o sorriso bonito vem vindo, e vindo, e vindo... Sua forma delicada de falar, seus cachos (segundo ela um pouco quebrado nas pontas). Não, não... Essa parte cabe a ela.

- Minha timidez é continuamente inconstante. Nasce e desbota! Porque quando observo a sua pele branquinha, a percepção de que Raul Seixas queria a esposa de São Jorge lá no céu, eu percebo outra lua presa orbitando singularmente aqui do lado, fazendo com que tudo toma outras proporções, o levante das mares, o calor intimo do estomago; eis que minha gestão, compreender e convocar há atitude da racionalidade somada aos sentimentos em singular tempestade. Tentando controlar ao máximo – acabo tornando-me frio e amigável - É preciso olhar, é preciso brilhar, é preciso tomá-la em meus braços!

- Então aquilo que o velho dizia fez sentido: “O amor é amizade, só que beijamos na boca! E se amizade é possível, o amor é outro nível, tens que estar disposto as ultimas conseqüências para chegar ao mesmo nível!”

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